A história de Caim e Abel, narrada em no Antigo Testamento em Gênesis 4, vai muito além do primeiro assassinato registrado na Bíblia. Ela revela como sentimentos aparentemente pequenos como inveja, frustração e comparação podem crescer silenciosamente dentro do coração humano e gerar consequências devastadoras.
Você já percebeu como emoções mal resolvidas, quando ignoradas, acabam influenciando decisões que machucam pessoas próximas e, acima de tudo, entristecem a Deus? A história de Caim e Abel mostra exatamente esse processo acontecendo diante dos nossos olhos.
Mais do que dois irmãos, Caim e Abel representam dois tipos de coração diante do Senhor. Ambos ofereceram algo a Deus, ambos conheciam o Criador, ambos realizaram um ato religioso. No entanto, apenas um teve sua oferta aceita. O motivo não estava no que foi oferecido, mas na intenção por trás da oferta.
Enquanto Abel se aproximou de Deus com sinceridade, temor e entrega, Caim permitiu que o orgulho e o ressentimento tomassem espaço em seu interior. O resultado foi um caminho de afastamento, dor e violência.
Ao refletirmos sobre a história de Caim e Abel, somos confrontados com uma pergunta inevitável: em nossas atitudes diárias, temos agido como Abel… ou como Caim?

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A origem de Caim e Abel e o início do conflito
A história de Caim e Abel começa logo após a queda do ser humano no Éden, quando o pecado já havia rompido a harmonia perfeita entre Deus e a humanidade. Em Gênesis 4, a Bíblia nos apresenta os dois primeiros filhos de Adão e Eva, marcando o início da experiência humana fora do paraíso.
Caim foi o primogênito e seguiu o caminho da agricultura, trabalhando diretamente com a terra. Abel, seu irmão mais novo, tornou-se pastor de ovelhas. Essa diferença de ofícios não indica qualquer superioridade espiritual ou erro moral. Ambos exerciam atividades legítimas e necessárias para a sobrevivência da família. O próprio texto bíblico afirma com simplicidade: “Caim foi lavrador da terra, e Abel, pastor de ovelhas” (Gênesis 4:2).
O conflito entre Caim e Abel não surge por causa de suas profissões, mas no momento em que cada um se aproxima de Deus em adoração. “Ao cabo de dias”, ambos trouxeram ofertas ao Senhor, apresentando diante dEle o fruto do seu trabalho. Esse detalhe revela que os dois reconheciam a existência de Deus e entendiam a importância de se relacionar com Ele por meio da oferta.
Abel escolheu oferecer as primícias do seu rebanho, ou seja, o que havia de melhor e mais valioso. Sua oferta expressava gratidão, reverência e fé. Caim também trouxe uma oferta, mas o texto bíblico não destaca qualquer cuidado especial ou entrega sincera. Essa diferença sutil, porém profunda, revela que o problema não estava no ato exterior, mas na disposição interior de cada coração.
Quando Deus aceita a oferta de Abel e rejeita a de Caim, a narrativa deixa claro que o Senhor não estava fazendo distinção entre pessoas, mas avaliando intenções. A reação de Caim revela o início do verdadeiro conflito: ao invés de refletir sobre sua atitude, ele permite que a frustração e o ressentimento tomem conta do seu coração.
É nesse ponto que a história de Caim e Abel começa a nos confrontar de maneira direta. Deus não rejeita Caim sem explicação. Pelo contrário, Ele o adverte com misericórdia: “Se procederes bem, não é certo que serás aceito?” (Gênesis 4:7). Essa pergunta mostra que o problema não era irreversível. Caim ainda tinha a oportunidade de corrigir sua postura e restaurar seu relacionamento com Deus.
No entanto, o silêncio interior de Caim diante da advertência divina marca o início de um caminho perigoso. O conflito que começou no coração logo se transformaria em ruptura, dor e violência, mostrando que decisões espirituais negligenciadas sempre produzem consequências profundas.
O significado da oferta de Caim e Abel e o que Deus realmente avalia
A diferença entre as ofertas apresentadas por Caim e Abel vai muito além do que foi colocado diante do altar. A narrativa bíblica deixa claro que o centro da questão não estava no tipo de oferta, mas na atitude interior de quem a entregava. Deus, desde o início, sempre se mostrou interessado no coração antes de se agradar do gesto externo.
O texto de Gênesis afirma que “Abel trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da gordura delas” (Gênesis 4:4). Essa descrição não é casual. Ao separar as primícias, Abel demonstra que Deus ocupava o primeiro lugar em sua vida. Sua oferta não era fruto de obrigação, mas de fé, gratidão e reverência. Ele ofereceu o melhor porque reconhecia quem Deus era.
Caim também se aproximou de Deus com uma oferta, mas o relato bíblico é intencionalmente simples ao descrevê-la: “Caim trouxe do fruto da terra” (Gênesis 4:3). Não há menção de primícias, nem de excelência, nem de entrega voluntária. Isso sugere que, embora o ato fosse religioso, o coração estava distante. Era uma oferta feita por dever, não por devoção.
A história de Caim e Abel nos ensina que Deus não se impressiona com gestos vazios. Ele não avalia a aparência do sacrifício, mas a motivação que o sustenta. Essa verdade percorre toda a Escritura. O salmista declara que os sacrifícios agradáveis a Deus são um espírito quebrantado e um coração humilde (Salmos 51:17). O próprio Jesus reforça esse princípio ao elogiar a oferta simples da viúva pobre, que deu pouco aos olhos humanos, mas tudo o que possuía diante de Deus (Lucas 21:1–4).
Quando Deus rejeita a oferta de Caim, Ele não o faz para humilhá-lo, mas para confrontá-lo amorosamente. A rejeição era um convite ao arrependimento, não uma condenação definitiva. Por isso, o Senhor pergunta: “Se procederes bem, não é certo que serás aceito?” (Gênesis 4:7). Essa pergunta revela um Deus que deseja transformação, não apenas rituais.
O grande problema de Caim não foi a rejeição da sua oferta, mas a forma como ele reagiu a ela. Ao invés de permitir que Deus tratasse seu coração, ele se fechou, alimentando frustração, inveja e orgulho. O contraste com Abel é evidente: enquanto um se aproxima de Deus com fé e entrega, o outro se distancia mesmo estando diante dEle.
A narrativa de Caim e Abel continua extremamente atual, pois nos confronta com uma pergunta inevitável: quando nos aproximamos de Deus, estamos oferecendo apenas o que fazemos ou também aquilo que somos? A verdadeira adoração começa no interior e se manifesta em atitudes que refletem um coração rendido e sincero.
O pecado da inveja de Caim gerou o primeiro homicídio do mundo
A rejeição da oferta não foi o maior problema de Caim. O verdadeiro conflito começou quando ele permitiu que sentimentos não tratados criassem raízes profundas em seu coração. A Bíblia descreve que, ao perceber que sua oferta não havia sido aceita, “o semblante de Caim caiu” (Gênesis 4:5). Essa expressão revela mais do que tristeza momentânea: indica frustração, ira e uma revolta silenciosa que passou a dominar seus pensamentos.
Deus, em Sua misericórdia, não ignora esse estado interior. Pelo contrário, Ele se aproxima e confronta Caim com uma advertência clara e amorosa:
“Por que andas irado? E por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Mas, se não procederes bem, o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gênesis 4:6–7).
Essa fala divina revela uma verdade profunda: o pecado não surge de forma repentina. Ele se apresenta primeiro como um sentimento, uma intenção mal resolvida, algo aparentemente controlável. Deus alerta Caim de que o pecado já estava à porta do seu coração, pronto para dominá-lo mas também deixa claro que ele ainda tinha escolha. O domínio não era inevitável.
No entanto, Caim ignora a advertência. Em vez de tratar sua ira diante de Deus, ele permite que a inveja se transforme em hostilidade. O irmão que havia sido aceito passa a ser visto como rival. O texto de Gênesis 4:8 é direto e perturbador: “Caim falou com seu irmão Abel; e aconteceu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra seu irmão Abel e o matou.”
Aqui ocorre o primeiro homicídio da história da humanidade. Um pecado que nasceu no interior, amadureceu no silêncio e se concretizou em violência. A Bíblia não romantiza esse ato, nem suaviza suas consequências. Pelo contrário, ela mostra como uma emoção não tratada pode produzir destruição irreversível.
As consequências para Caim são imediatas e profundas. Ele perde a comunhão com Deus, rompe com a família e passa a viver como fugitivo e errante sobre a terra (Gênesis 4:11–12). A terra, que antes era sua fonte de sustento, agora se torna símbolo de julgamento. A culpa e o medo passam a acompanhá-lo, marcando sua existência.
Essa parte da história de Caim e Abel funciona como um alerta espiritual poderoso para todas as gerações. O pecado raramente começa com grandes atos. Ele nasce em sentimentos ignorados, cresce em pensamentos não confrontados e termina em atitudes que ferem profundamente a nós mesmos e aos outros.
O apóstolo Paulo resume esse princípio de forma clara: “O salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). A experiência de Caim ilustra exatamente essa realidade. O que poderia ter sido corrigido no coração tornou-se uma tragédia que marcou toda a história humana.
A narrativa nos confronta com uma pergunta essencial: o que fazemos quando Deus nos chama a corrigir o coração? Ou ouvimos Sua voz e mudamos de caminho, ou repetimos o ciclo de Caim permitindo que a inveja, o orgulho e a ira nos afastem da presença divina e da comunhão com o próximo.
Mágoas escondidas se transformam em ações desastrosas.
E toda atitude que nasce longe da presença de Deus termina em afastamento, dor e colheitas amargas.
O impacto na humanidade e o alerta para os nossos dias
A história de Caim e Abel não termina no campo onde o primeiro homicídio foi cometido. Suas consequências atravessam gerações e continuam ecoando na experiência humana até hoje. Ao tirar a vida do próprio irmão, Caim rompeu algo fundamental no projeto de Deus para a humanidade: a comunhão entre pessoas que deveriam viver em cuidado mútuo e responsabilidade compartilhada.
Quando Deus declara que Caim seria “fugitivo e errante sobre a terra” (Gênesis 4:12), essa sentença vai muito além de uma punição física ou geográfica. Ela descreve um estado interior. A vida longe da presença de Deus se torna instável, sem direção, sem paz e sem pertencimento. O afastamento espiritual gera desorientação emocional e social.
| Etapa | Ação de Caim | Resultado |
|---|---|---|
| Emoção inicial | Ciúme / raiva | Sentimento não tratado |
| Advertência | Deus o alerta (“o pecado está à porta…”) | Caim ignora o conselho |
| Decisão | Chama Abel ao campo | Planeja o ato |
| Ação | Mata Abel | Primeiro assassinato da história |
| Consequência | Fugitivo e errante, afastado da presença de Deus | Ruptura familiar e social |
Esse padrão se repete ao longo da história bíblica e humana. Sempre que o coração se fecha para Deus, os relacionamentos também se deterioram. A violência entre irmãos em Gênesis 4 inaugura uma sequência de rupturas que marcam o mundo: invejas, disputas, guerras e desunião. O pecado que começa no íntimo acaba refletindo na sociedade.
O Novo Testamento retoma essa narrativa como advertência direta. Em 1 João 3:12, lemos: “Não sejamos como Caim, que era do maligno e matou a seu irmão.” O apóstolo não trata Caim apenas como um personagem histórico, mas como um modelo negativo de comportamento que ainda pode ser reproduzido quando o coração humano não é transformado.
A mensagem é clara: o espírito de Caim continua ativo sempre que a inveja substitui a gratidão, quando a comparação gera ressentimento e quando o orgulho impede o arrependimento. Por isso, a história de Caim e Abel permanece extremamente atual. Ela revela que problemas sociais, familiares e até espirituais têm origem em escolhas internas não tratadas diante de Deus.
Nos nossos dias, os cenários mudaram, mas o princípio é o mesmo. Inveja ainda destrói amizades. Ciúmes ainda quebram famílias. Mágoas alimentadas em silêncio ainda geram atitudes que ferem profundamente. O coração humano continua sendo o campo onde decisões eternas são tomadas.
Essa narrativa bíblica nos chama à responsabilidade pessoal. Antes de culpar circunstâncias ou pessoas, somos convidados a olhar para dentro. Deus fez isso com Caim, e continua fazendo conosco. Ele nos alerta antes que o pecado amadureça. Ele aponta caminhos de restauração antes que o dano se torne irreversível.
A história de Caim e Abel nos ensina que não existe neutralidade espiritual. Ou cultivamos um coração alinhado com Deus, ou permitimos que sentimentos não tratados nos afastem dEle e dos outros. A comunhão com Deus sempre se reflete na forma como tratamos o próximo.
Em outras palavras, a humanidade continua colhendo os frutos das escolhas do coração. Onde há humildade, há vida. Onde há inveja, há ruptura. O texto de Gênesis não apenas narra o passado — ele confronta o presente e aponta o caminho para um futuro diferente.
Lições atuais e como Caim e Abel revelam sobre nós
A história de Caim e Abel não foi preservada nas Escrituras apenas como um registro histórico, mas como um espelho espiritual. Ao observá-la com atenção, percebemos que ela revela muito mais sobre o coração humano do que sobre dois irmãos do passado. Em cada detalhe da narrativa, Deus nos convida a examinar nossas próprias motivações, escolhas e reações diante dEle.
Caim e Abel exerceram profissões diferentes, mas ambos se aproximaram de Deus. Isso deixa claro que o problema nunca esteve na atividade, no contexto ou até mesmo na prática religiosa em si. O ponto central sempre foi o coração. Abel se apresentou diante do Senhor com fé, reverência e gratidão. Caim também se apresentou, mas carregava uma postura interior marcada pela obrigação, pela comparação e pela resistência à correção.
| Aspecto | Caim | Abel |
|---|---|---|
| Vocação/profissão | Lavrador (trabalhador da terra) | Pastor de ovelhas |
| Tipo de oferta apresentada | Fruto da terra (sem destaque de qualidade) | Primogênitos e gordura do rebanho (o melhor) |
| Atitude do coração | Cumpriu uma obrigação | Expressou gratidão, fé e devoção |
| Reação após rejeição | Ira, ciúme e indignação | Nenhuma – sua oferta foi aceita |
| Resposta a Deus | Não se arrepende, tenta se justificar | Demonstrou fé e obediência |
| Resultado | Cometeu o 1º homicídio e foi condenado | Tornou-se exemplo de verdadeiro adorador (Hb 11:4) |
Essa diferença revela uma verdade profunda e atual: é possível fazer coisas espirituais sem ter um coração espiritual. É possível servir, ofertar, participar e até aparentar devoção, enquanto o interior permanece distante de Deus. A história de Caim e Abel nos alerta que Deus não se impressiona com gestos externos quando eles não refletem uma entrega genuína.
Outro ensinamento forte dessa narrativa está na forma como cada um reage à resposta divina. Abel não precisou se justificar, pois sua oferta foi fruto de um relacionamento saudável com Deus. Caim, ao contrário, reagiu com ira quando foi confrontado. Em vez de se arrepender, escolheu alimentar o ressentimento. Esse padrão continua extremamente comum: quando o orgulho fala mais alto, a correção é vista como ataque, e não como oportunidade de transformação.
A pergunta de Deus a Caim “Onde está teu irmão?” ecoa até hoje. Ela não busca informação, mas responsabilidade. Toda fé autêntica passa pelo cuidado com o outro. Não existe verdadeira comunhão com Deus quando ignoramos o impacto das nossas atitudes sobre quem está ao nosso redor. A espiritualidade que agrada ao Senhor nunca é isolada; ela sempre se manifesta em relacionamentos restaurados e atitudes cheias de graça.
A história de Caim e Abel também nos ensina que emoções não tratadas se transformam em prisões espirituais. A inveja de Caim não surgiu de uma vez. Ela foi cultivada no silêncio, cresceu no orgulho e explodiu em violência. A Bíblia não ignora as emoções humanas, mas nos chama a submetê-las à vontade de Deus antes que elas assumam o controle.
Quando olhamos para Abel, vemos um caminho diferente. Ele não é exaltado por grandes feitos públicos, mas por sua fé. Hebreus 11:4 afirma que foi pela fé que Abel ofereceu a Deus um sacrifício superior. Isso mostra que a aprovação divina não está ligada à visibilidade, mas à fidelidade. Um coração alinhado com Deus fala mais alto do que qualquer aparência religiosa.
Essa narrativa nos leva a uma reflexão inevitável: em nossas decisões diárias, nossas ofertas, nossos relacionamentos e nossa forma de reagir às frustrações, com quem temos nos parecido mais? Com Abel, que confiou e se entregou, ou com Caim, que resistiu à correção e deixou o pecado dominar o coração?
A história de Caim e Abel permanece viva porque ela descreve escolhas que ainda fazemos todos os dias. Escolher humildade ou orgulho. Arrependimento ou justificativa. Comunhão ou isolamento. Vida ou ruptura.
Deus continua oferecendo o mesmo convite feito a Caim: “Se procederes bem, não serás aceito?” A resposta não depende das circunstâncias, mas da disposição do coração. E é exatamente aí que essa história deixa de ser antiga e se torna profundamente atual.
Construindo um coração como o de Abel
A história de Caim e Abel nos conduz a uma conclusão inevitável: o maior campo de batalha da fé não está fora de nós, mas dentro do coração. Caim não foi rejeitado por falta de oportunidade, nem por ausência de orientação divina. Deus falou com ele, alertou, aconselhou e ofereceu a chance de mudança. Ainda assim, Caim escolheu ignorar a voz de Deus e seguir o caminho da inveja e do orgulho.
Abel, por outro lado, não aparece como alguém que falou muito ou realizou grandes feitos visíveis. Sua fé se manifestou na forma como se aproximou de Deus. Ele ofereceu o melhor porque entendia que Deus merecia o melhor. Seu culto não era um ritual automático, mas uma expressão sincera de amor, gratidão e reverência.
Construir um coração como o de Abel exige mais do que práticas religiosas. Exige uma postura interior de humildade contínua. É reconhecer que Deus vê além das aparências, sonda intenções e conhece motivações que nem sempre conseguimos admitir. Um coração como o de Abel não busca reconhecimento humano, mas aprovação divina.
Essa construção começa quando aprendemos a tratar nossas emoções à luz da Palavra. Abel não precisou lutar contra a inveja porque não se comparava. Ele compreendia que seu relacionamento com Deus não dependia da aprovação do outro. Caim, ao contrário, permitiu que a comparação se tornasse veneno. Isso nos ensina que muitas quedas espirituais começam quando olhamos mais para o que o outro recebeu do que para aquilo que Deus já nos confiou.
Outro passo fundamental para desenvolver um coração como o de Abel é aprender a responder bem à correção. Deus não confrontou Caim para humilhá-lo, mas para restaurá-lo. O mesmo princípio vale hoje. A correção divina é sempre um ato de amor. Quando resistimos a ela, endurecemos o coração; quando a acolhemos, crescemos espiritualmente.
Além disso, um coração semelhante ao de Abel valoriza a comunhão. A violência de Caim não destruiu apenas a vida do irmão, mas rompeu vínculos, afastou-o da presença de Deus e o tornou errante. Isso revela que todo pecado que fere relacionamentos também enfraquece nossa caminhada espiritual. Buscar reconciliação, perdoar e cuidar do outro não são atitudes opcionais são evidências de uma fé viva.
Na prática, construir um coração como o de Abel significa fazer escolhas diárias. Escolher entregar o melhor, mesmo quando ninguém está vendo. Escolher tratar sentimentos antes que eles se tornem pecados. Escolher ouvir a voz de Deus, mesmo quando ela confronta. Escolher a humildade quando o orgulho quer dominar.
A boa notícia é que Deus continua disposto a moldar corações. Ele não apenas aponta o erro, mas oferece graça para transformação. A mesma graça que poderia ter restaurado Caim está disponível hoje para todos que desejam viver uma fé autêntica e alinhada com a vontade do Senhor.
Que a história de Caim e Abel não seja apenas algo que conhecemos, mas uma mensagem que nos transforma. Que escolhamos, dia após dia, o caminho da fé, da sinceridade e da comunhão com Deus. E que, ao nos apresentarmos diante dEle, possamos fazê-lo com um coração inteiro como o de Abel.
Confrontando a verdade de Caim e Abel
A história de Caim e Abel nos confronta com uma verdade que atravessa gerações: não é o ato exterior que define nossa fé, mas o estado do nosso coração diante de Deus. Dois irmãos, duas ofertas, duas atitudes — e consequências completamente diferentes.
Caim teve a oportunidade de mudar. Deus falou, alertou e estendeu graça. Ainda assim, ele escolheu alimentar sentimentos não tratados, permitindo que a inveja se transformasse em pecado e o pecado em destruição. Abel, por sua vez, nos ensina que uma vida de fé começa quando colocamos Deus no centro, oferecendo o melhor — não apenas do que temos, mas de quem somos.
Essa narrativa não foi registrada apenas para ser lida, mas para ser vivida. Ela nos chama a examinar nossas intenções, nossas emoções e a forma como nos aproximamos de Deus. Toda vez que escolhemos a sinceridade em vez da comparação, a humildade em vez do orgulho e a obediência em vez da resistência, damos um passo para longe do caminho de Caim e mais perto do coração de Abel.
Se hoje você percebe áreas da sua vida marcadas por inveja, ressentimento, frustração ou distanciamento espiritual, saiba: Deus ainda fala, ainda corrige e ainda restaura. A mesma voz que advertiu Caim continua chamando corações ao arrependimento e à transformação.
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Que o Senhor nos conceda um coração ensinável, humilde e sincero um coração como o de Abel.
Perguntas frequentes sobre Caim e Abel
1. Por que Deus aceitou a oferta de Abel e rejeitou a de Caim?
Deus aceitou a oferta de Abel porque ela foi apresentada com fé, sinceridade e entrega total. Abel ofereceu o melhor do seu rebanho, demonstrando reverência e gratidão. Já Caim apresentou uma oferta sem o mesmo coração de devoção. A Bíblia mostra que Deus avalia a intenção antes da oferta em si (Gênesis 4:4-5; Hebreus 11:4).
2. Qual foi o verdadeiro pecado de Caim segundo a Bíblia?
O verdadeiro pecado de Caim começou no coração, com inveja, orgulho e ira não tratados. O assassinato de Abel foi a consequência final de sentimentos alimentados em silêncio. Deus o alertou antes do ato, mostrando que o pecado poderia ser dominado (Gênesis 4:6-7).
3. Caim teve chance de arrependimento?
Sim. A rejeição da oferta não foi uma condenação definitiva, mas um convite ao arrependimento. Deus falou diretamente com Caim, orientando-o a corrigir sua atitude. A escolha de não mudar foi do próprio Caim, o que reforça a responsabilidade humana diante de Deus.
4. O que a história de Caim e Abel ensina para os dias de hoje?
A história ensina que sentimentos como inveja e comparação continuam sendo perigos espirituais. Quando não tratados, eles destroem relacionamentos e afastam o ser humano da presença de Deus. O texto nos chama a viver uma fé sincera, tratar emoções à luz da Palavra e buscar reconciliação.
5. O que significa ter um coração como o de Abel?
Ter um coração como o de Abel significa aproximar-se de Deus com sinceridade, humildade e fé. É oferecer o melhor, não por obrigação, mas por amor. Também envolve não se comparar com os outros e aceitar a correção divina como parte do crescimento espiritual.
6. Quem foi a esposa de Caim?
A Bíblia não menciona o nome da esposa de Caim. Em Gênesis 5:4, é informado que Adão e Eva tiveram outros filhos e filhas. Portanto, entende-se que Caim se casou com uma irmã ou parente próxima, algo comum nos primeiros estágios da humanidade.
7. Por que a história de Caim e Abel é tão importante na Bíblia?
Porque ela revela como o pecado nasce no coração, cresce nas emoções e se manifesta em ações. Além disso, mostra que Deus se importa com intenções, oferece oportunidades de arrependimento e alerta sobre as consequências de escolhas espirituais erradas.
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Ivo Lázaro — Pai, marido e apaixonado por Jesus Cristo. Atuo como almoxarife e nas “horas vagas”, há + 12 anos, como Consultor de SEO.
Em 2018, tive um verdadeiro encontro com o Deus Vivo. Desde então, minha fé passou a permear todas as áreas da minha vida — pessoal, profissional e espiritual. Sou um leitor dedicado, discípulo da Palavra e estudante fiel dos ensinamentos do Pastor Rodrigo Silva. Ajude-nos para continuar nosso projeto pelo pix: contato@uolsites.com.br.
